Blog · Low-code
Limitações do Bubble e do FlutterFlow quando o app cresce
Resposta direta
As duas plataformas publicam os próprios limites. No Bubble, uma busca ordenada devolve no máximo 50.000 registros, um workflow é cortado aos 300 segundos e o plano Growth custa US$ 209 por mês com 250 mil workload units, cobrando US$ 0,30 por 1.000 unidades excedentes. No FlutterFlow, o download do código-fonte só existe a partir do plano Growth, de US$ 80 por mês. Nenhum desses números atrapalha um app pequeno. Todos aparecem quando ele cresce.
Quase todo app que me procura para ser reescrito nasceu certo. Alguém precisava de um controle, montou em uma plataforma visual em duas semanas e resolveu o problema daquele mês.
O que muda não é a ferramenta. É o app. Ele ganha usuários, ganha histórico e passa a ser o lugar onde a empresa fatura. A partir daí, limites que ninguém tinha lido começam a aparecer todos ao mesmo tempo.
Este artigo abre esses limites com os números que as próprias plataformas publicam, e diz também onde elas continuam sendo a escolha certa. Se você ainda está antes dessa decisão, o artigo low-code vale a pena: onde resolve e onde trava cobre a etapa anterior.
Quais são as limitações do Bubble, segundo o próprio Bubble
O Bubble mantém uma página de documentação chamada hard limits, atualizada em 27 de maio de 2026. Limite rígido quer dizer o seguinte: não é lentidão que um plano melhor resolve, é uma parede.
| Limite documentado | Valor | Onde isso dói na prática |
|---|---|---|
| Registros por busca ordenada | 50.000 | Relatório do ano inteiro, exportação de base e listagem com ordenação param de ver o resto. |
| Itens em uma lista guardada dentro de um registro | 10.000 | O padrão de guardar os itens dentro do pedido, do cliente ou do projeto deixa de servir. |
| Duração de um workflow | 300 segundos | Importação, fechamento de mês e recálculo em lote são interrompidos no meio. |
| Elementos e eventos por página | 10.000 | Tela que virou o sistema inteiro, com dezenas de estados, encosta no teto do editor. |
| Tipos de dado na aplicação | 1.000 | Raro para app pequeno, comum em quem foi acrescentando módulo por módulo. |
| Resposta de uma chamada de API | 50 MB | Integração com ERP ou marketplace que devolve lote grande precisa ser fatiada. |
Repare no que essa lista tem de bom: ela existe e é pública. O problema não é o Bubble esconder o teto. É que a decisão de usar a ferramenta costuma acontecer meses antes de alguém precisar dessa página.
Workload unit: por que a fatura muda sem ninguém mexer no app
O Bubble não cobra por usuário. Cobra por consumo. A unidade se chama workload unit, e a documentação oficial usa uma analogia direta: capacity era um limite de velocidade, workload é a distância percorrida.
Traduzindo para a operação: cada busca, cada gravação e cada workflow que roda gasta unidades. Mais gente usando, mais dado acumulado, mais unidades — com o mesmo app, sem uma linha alterada.
Na página de preços consultada em 5 de setembro de 2026, os planos aparecem assim:
| Plano do Bubble | Preço por mês | Workload units incluídas |
|---|---|---|
| Free | US$ 0 | 50 mil |
| Starter | US$ 59 | 175 mil |
| Growth | US$ 209 | 250 mil |
| Team | US$ 549 | 500 mil |
O que passa do incluído é cobrado à parte. Segundo a FAQ de preços da documentação do Bubble, atualizada em 10 de abril de 2026, quem não assina um pacote adicional paga US$ 0,30 por 1.000 workload units excedentes.
Um exemplo com número redondo: 250 mil unidades acima do plano em um mês são US$ 75, ou cerca de R$ 385 pelo câmbio de R$ 5,13 por dólar registrado pelo UOL Economia em 5 de setembro de 2026. Não é uma quantia que quebra ninguém. É uma quantia que aparece sem aviso, e que depende de como as telas foram montadas, não de quanto a empresa vendeu.
Essa é a diferença que importa para quem assina: no sob medida, a hospedagem é um custo fixo previsível, entre R$ 120 e R$ 600 por mês. No modelo por consumo, o custo é uma variável que a plataforma calcula.
Bubble ou FlutterFlow: qual é a melhor opção
Essa é a pergunta que o Google associa ao tema, e a resposta honesta é que as duas ferramentas resolvem problemas diferentes.
O Bubble monta aplicação web: banco de dados, telas e lógica no mesmo editor, hospedados por ele. Cobra por projeto e por consumo.
O FlutterFlow monta aplicativo de celular gerando um projeto Flutter, a tecnologia de interface mantida pelo Google. Cobra por assento: na página de preços consultada em 5 de setembro de 2026, o plano Basic sai por US$ 39 por mês e o Growth por US$ 80 por mês no primeiro assento.
Para quem contrata, a diferença decisiva não é a tela. É o que sobra na sua mão quando a plataforma deixar de servir.
O código é seu? O que dá para levar embora de cada plataforma
No FlutterFlow, o download do código-fonte e o código customizado em Dart estão liberados a partir do plano Growth, de US$ 80 por mês, segundo a tabela de comparação da própria página de preços. Nos planos Free e Basic, não há exportação de código. Vale ler isso como um dado de contrato, não como detalhe técnico: o plano define se existe saída.
No Bubble, a situação é diferente por natureza. O dado sai: dá para exportar em CSV e ler por API. A aplicação, não. Fluxos e telas montados no editor visual não viram um projeto que roda em outro servidor.
Por isso toda migração de low-code para sistema próprio é uma reescrita da lógica com aproveitamento do dado. Não é retrabalho por incompetência de ninguém — é a consequência de a lógica morar dentro da ferramenta. O tema aparece inteiro no artigo sobre propriedade do código no software sob medida.
Onde o low-code continua sendo a escolha certa
Um artigo de desenvolvedor que só ataca plataforma visual não merece crédito. Então, com a mesma clareza dos limites acima: há casos em que eu não construiria do zero.
- Validar uma ideia antes de investir. Duas semanas em uma plataforma visual respondem se alguém usa. Nenhum orçamento de desenvolvimento responde isso mais barato.
- App periférico com poucos usuários. Formulário de campo, checklist, controle de um processo isolado. Se são cinco pessoas e a regra é simples, a licença é mais barata que a construção.
- Escopo que não vai mudar. Ferramenta interna estável, que ninguém pretende evoluir, envelhece bem em low-code.
- Prazo curto de verdade. Quando o app precisa existir na semana que vem, plataforma visual entrega e sob medida não.
O erro não é começar em low-code. O erro é não perceber o momento em que o app deixou de ser experimento.
Os 5 sinais de que seu app passou do ponto
- A conta mensal varia sem ninguém ter mexido em nada. É o consumo crescendo com o uso. Ele não volta.
- Alguma tela precisa mostrar mais registros do que a busca devolve. No Bubble, o número documentado é 50.000 em busca ordenada.
- Existe regra do seu negócio que só coube como remendo. Campo usado para outra coisa, fluxo duplicado, contorno com nome de solução.
- Uma rotina em lote não termina. Fechamento, importação ou recálculo batendo no teto de 300 segundos por workflow.
- O app virou o processo que fatura. Quando parar o app é parar a empresa, o critério deixa de ser preço e passa a ser controle.
Um sinal sozinho não é motivo para migrar. Três ao mesmo tempo, sim.
A conta de 3 anos, com os dois lados
Comparação em 36 meses, convertendo pelo câmbio de R$ 5,13 por dólar registrado pelo UOL Economia em 5 de setembro de 2026, sem impostos, IOF ou pacotes adicionais de consumo:
| Caminho | Custo em 36 meses | O que você tem no fim |
|---|---|---|
| Bubble Starter US$ 59/mês |
R$ 10.896 | App no ar, dado exportável, lógica dentro da plataforma. Assinatura continua. |
| Bubble Growth US$ 209/mês |
R$ 38.598 | O mesmo, com mais consumo incluído. Excedente cobrado à parte. |
| FlutterFlow Growth US$ 80/mês, 1 assento |
R$ 14.774 | App de celular, com código-fonte Dart exportável enquanto o plano estiver ativo. |
| Módulo sob medida R$ 14.900 uma vez, mais hospedagem |
R$ 19.220 a R$ 36.500 | Código, banco e servidor no CNPJ da empresa. Sem mensalidade de licença. |
Leia a primeira linha com atenção, porque ela contraria o meu interesse comercial: em 3 anos, um app pequeno no plano Starter sai mais barato que construir. Se o seu caso é esse, fique onde está.
A conta vira quando entram as duas variáveis que a tabela não mostra: consumo excedente todo mês e horas de alguém contornando limite. Aí o barato passa a ser pago em dinheiro e em tempo ao mesmo tempo.
O que mudou em 2026: a onda saiu do no-code e foi para a IA
Um dado de leitura de mercado, medido por mim no Google Trends em 5 de setembro de 2026: no Brasil, o interesse de busca por "bubble no code" nas últimas oito semanas está cerca de 85% abaixo da média das oito semanas anteriores, e o termo "flutterflow" cai perto de 19% na mesma comparação. Enquanto isso, "lovable", uma das ferramentas de geração de aplicação por IA, se mantém estável no topo da série.
A atenção mudou de lugar. O problema, não. Ferramenta que gera aplicação por IA tem exatamente as mesmas perguntas pendentes das plataformas visuais: onde mora a lógica, quem hospeda, quanto custa quando cresce e o que sai de lá quando você quiser sair.
Trocar de moda não responde nenhuma das quatro. Responder as quatro antes de escolher, sim.
Perguntas frequentes
Quais são as limitações do Bubble?
Pela página de hard limits da documentação oficial, atualizada em 27 de maio de 2026: busca ordenada devolve no máximo 50.000 registros, uma lista dentro de um registro suporta 10.000 itens, um workflow para aos 300 segundos, uma página aceita 10.000 elementos e eventos somados e a aplicação aceita 1.000 tipos de dado.
O Bubble é pago? Quanto custa por mês?
Há um plano gratuito com 50 mil workload units mensais. Na página de preços consultada em 5 de setembro de 2026, o Starter sai por US$ 59, o Growth por US$ 209 e o Team por US$ 549 por mês. O excedente é cobrado a US$ 0,30 por 1.000 workload units.
Qual é a melhor opção: Bubble ou FlutterFlow?
Depende do que você vai construir. Bubble faz aplicação web e cobra por consumo do projeto. FlutterFlow faz aplicativo de celular em Flutter e cobra por assento, de US$ 39 por mês no Basic. A diferença que pesa no contrato: o FlutterFlow libera o download do código a partir do Growth, de US$ 80 por mês; a lógica do Bubble não sai da plataforma.
O que acontece quando o app no Bubble fica lento?
Nos planos atuais, o app não é desacelerado ao passar do limite: o consumo vira cobrança. A lentidão costuma vir de busca aninhada, filtro avançado e lista longa na tela — os mesmos padrões que puxam o consumo de workload units para cima.
Dá para exportar o app do Bubble para código próprio?
O dado sai em CSV e por API. A aplicação, não: telas e fluxos montados no editor visual não viram um projeto que roda fora da plataforma. Migrar é reescrever a lógica aproveitando o dado.
Quando vale a pena sair do low-code para um sistema próprio?
Quando o app virou o processo que a empresa usa para faturar, a conta mensal passou a variar sozinha e já existe regra do negócio que só coube como remendo. Um módulo sob medida começa em R$ 14.900 e fica pronto em 3 a 5 semanas; o passo a passo do método está em como funciona.
Seu app cresceu mais que a plataforma?
Me conte o que ele faz hoje e onde ele trava. Respondo em até 1 dia útil com uma leitura do escopo — e, se fizer sentido, marcamos 40 minutos de diagnóstico, sem custo. Se a resposta for ficar onde está, eu digo isso também.